Dançando sobre arquitetura
Repórter - Sr. Gandhi, o que você acha da civilização ocidental?
Gandhi - Acho que seria uma boa idéia.
"Falar sobre música é como dançar sobre arquitetura."
Frank Zappa
Eu li essa frase ontem, e pensei em escrever algo sobre como não leva a nada falar sobre música, pois ela é perfeita. Entretanto, ao ler os comentários do último post, mudei de idéia. Acho que foi um récorde, aliás. Deve ter sido o post com os maiores comentários da história!
Nossa cultura atual é fruto de movimentos naturais do ser humano. Inclusive pela ganância, obviamente. Não podemos deixar de lado a cultura produzida pela escravização ou pelas tentativas de mudar a cultura do povo em prol das elites, tantas vezes bem sucedida. Nada mais natural.
Assim como não leva nada falar sobre música, não sei se é válido pensar (no sentido racional) nos fundamentos de uma sociedade. Li sobre uma reforma educacional, mas o que seria isso? Do meu ponto de vista seria uma forma de alterar a nossa própria cultura de uma maneira racional, mas o homem não é inteiramente racional! Somos os únicos a ler, fazer cálculos e a pesquisar o mundo em que vivemos, mas em nenhum momento deixamos de ser animais. Tentamos deixar de lado, ignorar, esse lado de todos nós que consideramos "baixo", "inferior" de maneira geral.
A sociedade de hoje tem alguns problemas com esse lado. Sua repressão gera problemas que vez ou outra aparecem nas notícias. Um caso que para mim foi claro foi o do homem pacato, que ao ser despedido explodiu, matando sete pessoas (incluindo a família, o chefe e a sogra). Uma forma de sociedade não pode suprimir o lado animal sem causar desastres. Na Suécia, o índice de suicídios entre jovens vem aumentando nas últimas décadas. Fruto, de acordo com estudos, do elevado bem estar social. Como a razão explica isso? Que sentido existe em se matar porque a vida está boa? O jovem se vê sem ambições, sem um motivo para viver, lutar, e se mata. Como a razão explica que alguém goste de lutar pela própria sobrevivência? Humanos gostam de sofrer?
Se a razão não é capaz de entender os desejos humanos, como a mesma teria o poder de nos dar uma forma de sociedade?
Se uma sociedade criada pela razão leva a nossa destruição, e uma pelo nosso lado animal parece também nos levar ao mesmo ponto, o que nos resta? Uma fusão?
A inspiração é algo que me soa muito promissor. Não é lógica, mas não é animal. O que seria? De onde vem aquele relâmpago que nos atinge ao escrever, ou quando nos deparamos com um desafio, que traz milagrosamente a resposta às nossas dúvidas?
Nada me vêm a cabeça, por agora.
Na noite do dia 27 de outubro poderemos presenciar o eclipse total da lua! Visível de todo o brasil!
A Velha Troca
Ainda na onda autista, eu vejo o mundo pelo lado de fora (mas eu venho pensando nisso faz tempo...). As linhas abaixo refletem um pensamento meu, que tem um pouco a ver sobre a vaga preocupação que tenho sobre a humanidade. Não faço sociologia, a maior parte do que eu falei não tem nenhum embasamento teórico.
No início, o processo produtivo era ineficiente: núcleos pequenos, caça, etc. Só se tinha tempo para procurar comida e fazer filho. Sobrevivência.
Com o passar das eras, o homem foi domando técnicas que possibilitaram que o mesmo grupo tivesse uma produção de alimento suficiente para mais pessoas do que eles mesmos. Interessados na comida, surgiram serviços e trocas de produtos. Não é difícil imaginar a primeira prostituta, prestando seus serviços em troca de alimento. Não era mais necessário que todos trabalhassem para a sobrevivência. Houve melhora na qualidade de vida, surgiram artesãos, ferreiros e outros profissionais úteis.
Mais tempo se passou, a técnica tornou-se ainda melhor. Não é mais necessário que todos trabalhem em algo útil. Surgem filósofos, atores, circos, músicos, joalheiros e toda sorte de trabalhadores, cujo produto era supérfluo, mas que tornavam a vida melhor.
Até esse ponto, não há problema com a melhora das técnicas. Muito pelo contrário. Mas o que vêm acontecendo nos últimos séculos?
A partir da revolução industrial, a eficiência na produção só tem aumentado. Cada vez mais um reduzido número de pessoas consegue fazer mais. Mas isso gera o problema que é a grande contradição do capitalismo:
O mundo já produz o suficiente para que todos tenham condições dignas de vida, muito bom, mas um número menor que o total da população global trabalha para conseguir esse resultado. Esse desemprego de parte da população faz com que as vítimas não tenham condições de fazer a velha troca (que ocorre desde os primórdios, lembram da prostituta?), pois o outro lado simplesmente já produz tudo o que precisa, e tem condições de adquirir.
Hoje isso gera crises econômicas. O que acontecerá em algumas décadas? A eficiência tem aumentado vertiginosamente nas últimas décadas do século XX, e essa tendência só deve se acentuar.
A consequência que eu vejo nisso é a inevitável demissão de trabalhadores, aumento do desemprego, menor poder de consumo, menor produção, mais desemprego, menor poder de consumo... um ciclo sem fim (é um feedback positivo, +--, desequilibrado). Não acredito que a velha "crise de superprodução" aconteça no mundo da informática, em pleno século XXI, onde o controle da produção e monitoramento do mercado é muito maior. Será que sou só eu que vê uma enorme crise social mundial estrutural chegando?
Já não estaria na hora do nosso modelo econômico ser substituido? Não por razões ideológicas, mas talvez porque o capitalismo não é mais viável, ao meu ver, numa sociedade onde não há espaço para todos trabalharem! Escrevam o que eu digo, quando o boom da nanotecnologia vier, esse ciclo +desemprego-consumo-produção tornar-se-á vertiginoso. Isso sem falar no avanço da robótica, mas eu acredito mais na nanotecnologia.
Seria viável algum dia a sociedade do não-trabalho? Trabalho deixará de ser essencial para ser um luxo? Ou será uma forma de castigo?
E espera pra ver...
