Pisando na grama

Uma história curiosa...
O IME possui um bloco relativamente novo. O caminho entre esse bloco e os outros pede que um pequeno gramado seja contornado, cerca de 6 metros a mais de caminhada. Seguindo a regra do menor esforço, a maior parte das pessoas simplesmente passa pela grama, deixando a característica trilha de terra batida aonde a grama não consegue crescer.
Pouquíssimas pessoas ligam pra esse tipo de coisa, mas dois professores apresentam posições ativas quanto à questão. Um defende que a grama deve ser pisada, para que em uma futura reforma o caminho seja tornado oficial e tenha alguma calçada. Outro acha que não é correto torturar a coitada da grama, e que andar mais 6 metros não é nada frente ao benefício de um bonito gramado.
Esse conflito rendeu algumas histórias engraçadas, mas isso não vem ao caso.

O que me fez escrever um post sobre isso foram as analogias que surgiram a partir dessa situação, ligados a assuntos muito mais relevantes.
Imagine que o gramado são as leis da sociedade em que vivemos. Quando ignoramos a lei, pisamos na grama. Quando a lei é ignorada muitas vezes, ela começa a deixar de existir na prática, até que um dia ela pode ser oficialmente declarada morta e receber uma calçada.
Por exemplo, aquele canto do gramado que diz fala que a pena de morte é ilegal. Sempre que alguém se vinga devido à falha da justiça, ou um criminoso 'morre em tiroteio' ou 'é suicidado' na prisão, essa parte do gramado é pisoteada.
No Brasil em particular a grama é bem judiada... e sem muitas calçadas!
Agora... será correto pisar na grama? Algumas leis só são mudadas quando a sociedade já as ignora a muito tempo (como foi o caso das leis relativas ao casamento, que foram calçadas em alguns lugares, e em outros ainda a grama tomou conta). Até que ponto as leis só são um reflexo do que as pessoas pensam em geral? Será que uma lei hipotética mudaria algum dia se todos discordassem dela mas ninguém pisasse nela?

6 comentários:

Oquendo disse...

Grande Maca!

Muito interessante a sua metáfora. Quanto ao debate da grama, acho que as construções devem ser um reflexo da natureza e com ela interagir, sendo em si micro monumentos à beleza, à durabilidade e à ergonomia, simultaneamente.

Mas esse não é o ponto da sua metáfora: no direito nós temos uma cadeira chamada sociologia jurídica que estuda justamente a fonte do direito, tanto a criadora quanto a adaptadora e destruidora. Existem diversas teorias, mas fato é que não existe uma resposta linear: o poder público age dependente da cultura popular, mas, ao mesmo tempo, pode agir independentemente, no seu poder de legislar, especialmente quando o assunto é mais técnico e a vontade popular se demonstra míope aos efeitos holísticos e de longo prazo da cessação ou transformação dos efeitos de uma lei.

Infelizmente, os políticos e até mesmo juristas tem sido impregnados por um populismo absoluto, fazendo certas cagadas legislativas em nome do "Volks". Darei dois exemplos:

Não é novidade nenhuma que a engenharia civil está passando por um momento difícil e que, ao mesmo tempo, há um grande déficit de moradia para as classes baixas. Acontece que, antigamente, as classes baixas e médias, que compravam imóveis à prestação, pagavam os juros e taxas de um índice proprio da engenharia. Esse indice era bem mais alto que o normal, mas isso se justificava: A pessoa, no fim das incontaveis parcelas, acabava pagando mais que o dobro do preço do imóvel, mas esse extra era reutilizado nas próximas construções populares, mantendo assim o comercio habitacional quente. Porém, o povo, embuído de um espírito individualista "É um absurdo pagar tanto por uma casa!" acabou com essa regra. O resultado é o que eu expus no início do parágrafo, e muitas pessoas já planejam voltar com a taxa "abusiva" da engenharia civil.

Outro caso: Antigamente, na aviação, o seguro para bagagens comportava o retorno de até um valor X em dinheiro, pelo peso da mala. Porém, por causa de alguns poucos casos de extravio de material valioso (ouro ,pedras preciosas) considerou-se o limite por peso absurdo (pq, nesses casos rarissimos, o indice obviamente nao condizia com o valor real do objeto perdido)e passou-se a obrigar as companhias aéreas a pagar exatamente o que se extravia-se. Bom, nem preciso dizer que o preço do seguro foi pra puta que pariu e, sem êxito, foi TOTALMENTE repassado para a passagem, tornando o trafego aéreo um artigo de luxo (antigamente as passagens eram bem mais baratas, ouve um pulo no meio da decada de 90)

Enfim, esses são exemplos nao ortodoxos de como a questão da validade ou não de uma norma é complexa e não pode nem deve ser decidida por simples uso ou desuso que são reflexos do gosto popular.

Macaeh disse...

Deve ser engraçado ler o que um alienígena escreve sobre o comportamento humano =P

Pedro Brito disse...

Fala, irmão!

Tentei postar há dias mas não estava funcionando...

Em geral sou contra pisar na grama. No entanto, há a pirataria virtual, por exemplo, que é uma bela pisada na grama! Mas essa é uma exceção, como nas aulas de português.

Talvez as coisas funcionem melhor com poucos pisões na grama.

Abração!

João disse...

Sou comunista, logo não piso na grama! Hahaha! Embora a frase não prime pela lógica, são duas verdades! =P

Abrações Maca!

Macaeh disse...

Na rússia comunista você não pisa na grama, a grama pisa em você!

pedro brito disse...

Boa, João, mas diz aí, hein, o comment do Renato depois foi mt bom, huahuauha!